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APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA DE L.E.M. - INGLÊS

O Ensino da Língua Estrangeira ao longo da história tem sido determinado pelos interesses sócios, políticos, econômicos e ideológicos passando por momentos de ascensão e declínio.
No contexto mais resumido de sua história, desde o período da colonização portuguesa, a influência católica, tendo o latim como língua culta, o ensino da Língua Inglesa passou por fases desde obrigatório para facultativo nos colégios, privilegiando o ensino profissionalizante, a escrita e como metodologia a gramática e a tradução. Chegou assim também a tomar caráter optativo dentro das possibilidades da instituição.
Em meados de 1980, a Abordagem Comunicativa, começou a ser discutida no Brasil em decorrência das demandas do mercado mundial. Os estudos lingüísticos de Canale e Swain, propuseram 4 habilidades respectivas: leitura, escrita, fala e audição.
Novos referenciais teóricos foram estudados por lingüistas aplicados analisando a função da língua estrangeira para assim contribuir para a redução das desigualdades sociais e servindo de subsídios para a elaboração das Diretrizes.
Retomando a trajetória do ensino da Língua Inglesa, até o ponto de vê-lo como prática social, Moita Lopes (1996), coloca que o ensino de outra cultura precisa ser repensado no Brasil, e, consoante a esse autor, Pennycook (apud Mascia,2003, p. 220) considera que
A expansão do inglês no mundo não é mera expansão da língua mas também um conjunto de discursos que fazem circular idéias de desenvolvimento, democracia, capitalismo, neoliberalismo, modernização(...). [Afirma ainda que] hoje, poderíamos dizer que as facetas do Comunicativo se desenvolveram com o objetivo principal de difusão do inglês como língua internacional.


As diretrizes de Língua Estrangeira se fundamentam na teoria de Bakhtin que concebe a língua como espaço de produção de sentidos. É no espaço discursivo que o sujeito se constitui socialmente, pois o discurso se dá pelo processo de interação entre duas vozes, a do eu e a voz do outro. Assim, as relações sociais ganham sentido através da palavra como fenômeno ideológico que se concretiza no contexto da enunciação.
A partir das reflexões em torno da Pedagogia Histórico-Crítica, apresentam-se os fundamentos teórico-metodológicos destacando alguns princípios educacionais que orientam esta escolha:
- o atendimento às necessidades da sociedade contemporânea brasileira e a garantia da equidade no tratamento da disciplina de Língua Estrangeira em relação às demais obrigatórias do currículo;
- o resgate da função social e educacional do ensino de Língua Estrangeira no currículo da Educação Básica;
- o respeito à diversidade (cultural, identitária, lingüística), pautado no ensino de línguas que não priorize a manutenção da hegemonia cultural.
Segundo Giroux (2004), é essencial que os professores reconheçam a importância da relação entre língua e pedagogia crítica no atual contexto global educativo, pedagógico e discursivo. Propõe-se que a aula de Língua Inglesa constitua um espaço que o aluno reconheça a diversidade lingüística e cultural de modo que se envolva discursivamente e perceba possibilidades de construção de significados em relação ao mundo que vive, entendendo que os significados são práticas sociais e historicamente construídos.
De acordo com as teorias de Bakhtin o estudo da língua estrangeira como discurso, constrói significados e não apenas o transmite. Não se limita a uma visão fixa, sistêmica e estrutural, pois atua como processo dinâmico e social.
As Diretrizes estão comprometidas com o resgate da função social e educacional da Língua Inglesa na Educação Básica. Desta forma espera-se que o aluno:
-use a língua em situações de comunicação oral e escrita;
-vivencie na aula de Língua Inglesa, formas de participação que lhe possibilite estabelecer relações de ações individuais e coletivas;
-compreenda que os significados são sociais e historicamente construídos e, portanto, passíveis de transformação na prática social;
Tenha maior consciência sobre o papel das línguas na sociedade;
-Reconheça compreenda a diversidade lingüística e cultural, bem como seus benefícios para o desenvolvimento cultural do país.
Estes objetivos são flexíveis e contemplam as diferenças regionais além de apontar um norte comum nos conteúdos específicos. Um dos objetivos da Língua Inglesa é que os envolvidos no processo pedagógico façam uso da língua que estão aprendendo em situações significativas, relevantes, isto é, que não se limitem em práticas de formas lingüísticas descontextualizadas. Ainda, deve-se considerar que o aluno traz para a escola determinadas leituras de mundo que constituem sua cultura e, como tal, devem ser respeitadas. Assim, a Língua Inglesa, neste documento deve contemplar as práticas discursivas (BAKHTIN, 1988). Trata-se de tornar a aula de Língua Inglesa um espaço de acesso a diversos discursos que circulam globalmente, para construir outros discursos alternativos que possam colaborar na luta política contra a hegemonia, pela diversidade, pela multiplicidade da experiência humana, e ao mesmo tempo, colaborar na inclusão de grande parte dos brasileiros que estão incluídos dos tipos de (...) [conhecimentos necessários] par a vida contemporânea, estando entre eles os conhecimentos [em língua estrangeira] (MOITA LOPES, 2003, P. 43).
Tal proposta se concretiza no trabalho com textos, não para extrair significados, mas para comunicar-se. É perceber a Língua como “arena de conflitos”(BAKHTIN, 1992). Nas Diretrizes da LEM, a ênfase do ensino recai sobre a necessidade de os sujeitos interagirem ativamente pelo discurso.
O trabalho com Língua Inglesa fundamenta-se na diversidade de gêneros textuais e busca alargar a compreensão dos diversos usos da linguagem, bem como a ativação de procedimentos interpretativos alternativos no processo de construção d significados possíveis, pelo leitor. Tendo em vista que texto e leitura são dois elementos indissociáveis, e que um não se realiza sem o outro, é importante definir o que se entende por esses dois termos.
O texto entendido como uma unidade de sentido pode ser verbal ou não verbal. Para Bakhtin (1992), o texto é a materialização de um enunciado e é entendido como unidade contextualizada de comunicação verbal.
Segundo o teórico Bakhtin, podem ser considerados textos uma figura, um gesto, um slogan, tanto quanto um trecho e fala gravada em áudio ou uma frase em linguagem verbal escrita, a partir dos quais os conteúdos específicos de Língua Inglesa serão tratados desde que seja válido para determinada comunidade, considerando o contexto e o momento histórico em que eles foram produzidos. Assim, é importante que os alunos tenham consciência de que várias formas de produção e circulação de textos em nossa cultura e em outras, de que existem diferentes práticas no âmbito de cada cultura, valorizadas de formas diferentes nas distintas sociedades.
Destaca-se que os textos aos quais a sociedade está exposta são de natureza genérica. Conforme aponta Moita Lopes, vivemos num mundo semiótico, cujos textos extrapolam a letra, ou seja, “um mundo de cores, sons, imagens e design que constroem significados em textos orais/escritos e hipertextos” (LOPES, 2004, p. 30-31).
O trabalho proposto nas Diretrizes está ancorado em uma leitura crítica numa abordagem que extrapola a relação entre o leitor e as unidades de sentido na construção de significados possíveis. Busca-se então, superar uma visão tradicional da leitura condicionada à extração de informações. O leitor não mais é passivo, mas torna-se participante do processo e construção de sentidos, levando em consideração todo o seu conhecimento prévio e a ideologia na qual está inserido.
O momento histórico, o contexto sócio-cultural, os elos com o cotidiano (familiares, amigos, etc.) que acompanham a vida, a criação artística e o conhecimento científico estão presentes na produção e não na recepção do enunciado. Consequentemente, é na língua e não por meio dela, que se percebe e entende a realidade e, por efeito, a percepção do mundo está intimamente ligada ao conhecimento das línguas.
No entanto, a Língua Inglesa é um saber importante para o exercício pleno da cidadania, pois o educando vive em um mundo globalizado e precisam ter acesso as informações necessárias para usar uma língua que não é dele.
É através do estudo da Língua Inglesa que se desenvolve as potencialidades individuais que estimula a autonomia do educando. Assim o aluno pode perceber que através do seu trabalho e do seu esforço ele pode transformar e intervir no meio onde vive e que a escola é um dos caminhos para que isso aconteça.




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